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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Servir a Deus Servindo aos Homens

               Sou uma pessoa muito egocêntrica.  Desejo conforto e felicidade para mim mesmo. Com muita frequência, faço de tudo para conseguir algo que eu quero para mim. Sou capaz de suportar as agruras e superar grandes obstáculos quando eu sou o beneficiado. Estou sempre disposto a servir a mim mesmo. Contudo, quando se trata de ajudar uma outra pessoa, nem sempre estou disposto a me esforçar tanto a ponto de me sentir desconfortável.  Todos nós temos um problema com o nosso eu.

Servir a Si Próprio– Servir a Satanás

               Talvez isso possa chocar você, mas quando servimos a nós mesmos, estamos, na verdade, servindo a Satanás. Há uma batalha cósmica em andamento entre o Deus Todo-Poderoso e Seu inimigo, Satanás. Nas Escrituras, vemos dois reinos rivais. Podemos nos aliar ou a Cristo e Seu reino ou a Satanás e o mundo. Satanás é de fato o governante do reino do mundo, como é visto em Ef 2.2 onde,  em referência ao sistema do mundo, ele é chamado de “príncipe do poder do ar.” 

               Quando amamos o mundo e assim, seu governante, estamos em  oposição a Deus e a Seu reino e portanto, fazemos de nós mesmos inimigos de Deus.

Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus. (Tiago 4.4)

Se amar o mundo nos torna um inimigo de Deus, então é importante que entendamos o que é amar o mundo. Olhe como o apóstolo João descreve o amor ao mundo.  

15 Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. 16 Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo. 17 O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. (1 João 2.15-17)

João descreve o amor ao mundo como simplesmente o amor a si mesmo e isso é um testemunho do fato de o amor a Deus e ao Seu reino estar ausente da vida da pessoa. 

               Nosso amor próprio revela que rejeitamos o reino do Senhor e que já nos aliamos ao governo de Seu inimigo.  Apenas alguns exemplos das Escrituras já são necessários para  confirmar isso. 

23 Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. 24 Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, este a salvará. 25 Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se ou destruir a si mesmo? (Lucas 9.23-25)

Jesus deixa claro que uma indisposição em negar-se a si mesmo é sinônimo de um desejo do homem em se apegar ao reino do mundo. Esse apego é fútil porque aquele que procura conservar sua vida no mundo, vai no final das contas perdê-la quando Cristo estabelecer Seu reino em sua plenitude. Aquele que ama a si mesmo  ama o mundo, mas o que nega a si mesmo ama ao Senhor e Seu reino.

               Anteriormente, eu havia mencionado Efésios 2. Nessa passagem, Paulo semelhantemente iguala o amar a si mesmo ao amor ao mundo. 

1 Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados ,2 nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. 3 Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira. (Efésios 2.1-3)

Antes de sermos reconciliados com Deus, cada um de nós estava ativamente seguindo  o curso do mundo em submissão ao seu governante. Vivíamos e perseguíamos este reino do mundo com a conseqüência de vivermos nas paixões de nossa carne seguindo os desejos do corpo e da mente.  Éramos amantes de nós mesmos! Como resultado, éramos filhos da ira; inimigos de Deus. 

               Em Romanos 12, Paulo exorta os seguidores de Cristo a não mais se amoldarem ao mundo mas a serem transformados pela renovação de suas mentes.  

1 Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. 2 Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12.1-2)

Como essa não-conformidade com o mundo se apresenta? Ela é simplesmenente a negação de si mesmo como um ato de louvor a Deus. Por dedução, concluímos que o amor a si próprio é o resultado da conformidade com o mundo. Amar a si mesmo expressa envolvimento com o mundo, enquanto o ato de auto-negação expressa que o crente foi transformado e voltou sua dedicação para o reino de Deus.

               Está claro que, quando exercemos o amor a nós mesmos, estamos nos aliando ao reino do mundo e servindo a Satanás. É igualmente verdade que quando negamos a nós mesmos estamos nos aliando ao reino de Deus e servindo a Ele. Isso pode ser ilustrado com alguns exemplos das Escrituras.  

Servir aos Homens – Servir a Deus

               Em Marcos 10, Jesus dá um exemplo bem claro de servir a Deus sevindo aos homens. Enquanto os discípulos estavam brigando por posições de destaque no reino de Deus, Jesus apontou para Seu próprio serviço humilde aos homens como o modelo da vida no reino. 

35 Nisso Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se dele e disseram: "Mestre, queremos que nos faças o que vamos te pedir". 36 "O que vocês querem que eu lhes faça?", perguntou ele. 37 Eles responderam: "Permite que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda". 41 Quando os outros dez ouviram essas coisas, ficaram indignados com Tiago e João. 42 Jesus os chamou e disse: "Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. 43 Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; 44 e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. 45 Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos". (Marcos 10.35-37; 41-45)

Tendo acabado de ouvir Jesus prever Sua morte, Tiago e João só podiam pedir a Jesus que garantisse a eles os lugares de maior destaque em Seu reino vindouro. Os outros dez discípulos estavam furiosos, não porque João e Tiago pediram isso, mas porque foram os primeiros a pedir!  

               Como repreensão, Jesus aponta para como o reino do mundo opera; os governantes dele dominam os liderados. Não é este o caso no reino de Deus. Ao contrário, os líderes no reino de Cristo servem humildemente àqueles que são liderados. Eles se tornam seus escravos. Este princípio é ilustrado  no fato de que o Filho encarnado de Deus não veio para ser servido e sim para servir e seu serviço é definido pela cruz.

               Ao servir aos homens, Cristo também estava servindo a Deus. Sua morte expiatória na cruz foi o serviço aos homens no que permitiu que fôssemos reconciliados com Deus. Entretanto, foi também um serviço a Deus porque foi da vontade do Pai que Cristo morresse em nosso lugar como preço de um resgate.  

Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer... (Isaías 53.10)

Este é um grande princípio do reino. O serviço de Cristo para com os homens em obediência à vontade de Deus demonstrou Seu amor para com o Pai. Ele serviu ao Pai servindo aos homens.

               O amor a Deus e o amor ao próximo são tão interligados que não podem ser separados. Quando perguntado sobre qual era o maior mandamento da Lei, Jesus se recusou a dar apenas um. Em vez disso, ele ligou para sempre o serviço ao homem com o serviço a Deus. 

37  ...'' ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. 38 Este é o primeiro e maior mandamento. 39 E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. 40 Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas". (Mt 22.37-40)

A Lei e os Profetas foram resumidos no amor a Deus e no amor ao próximo. Você simplesmente não pode amar a Deus sem amar seu próximo; nem pode servir a Deus sem servir o seu próximo.

               O apóstolo João, semelhantemente, liga o amor ao próximo com o amor a Deus. Isso é visto em sua primeira epístola.   

2 Assim sabemos que amamos os filhos de Deus: amando a Deus e obedecendo aos seus mandamentos. (1 João 5.2) 

Em outras palavras, amamos nosso próximo quando amamos a Deus. Assim como Jesus, João une o amor a Deus com o amor ao próximo de tal maneira que não podem ser separados e o amor é definido por ele como o negar-se a si mesmo na cruz.

16  Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. 17 Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? 18 Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade. (I João 3.16-18)

A motivação para nosso amor autruísta por uma outra pessoa é que Jesus negou-se a Si mesmo e entregou Sua vida por nós. 

9  Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. 10 Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. 11 Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros. (I João 4.9-11)

Semelhantemente, o Pai demonstrou Seu amor de maneira sacrificial para conosco ao enviar Seu Filho para morrer por nossos pecados. Mais uma vez, o amor autruísta de Deus visto no evangelho é nossa motivação para amar a Deus e nosso próximo. 

               Está claro que, para Jesus e João, o amor de Deus está diretamente ligado a nosso amor ao próximo. É igualmente verdade que o amor é definido como uma negação sacrificial do eu. Assim, para o cristão, servimos a Deus quando nos aliamos ao Seu reino ao negarmos a nós mesmos e sacrificialmente servirmos nosso próximo em obediência aos mandamentos de Deus.  

               Naturalmente, isso é um problema para todos nós, pois como já vimos, temos um problema com nosso eu. Paulo descreve cada um de nós quando está escrevendo para Timóteo.  

2 Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, 3 sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, 4 traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, 5 tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder... (2 Timóteo 3.2-5)

Paulo facilmente poderia estar se referindo a mim nesta passagem. Sou culpado da acusação, todos nós somos!  Qual é a resposta? Trabalhar mais duro? Ser mais legal? Não conseguimos fazer isso; nós nos amamos demais! A solução já foi discutida.

               É o amor autruísta de Cristo que nos leva do servir ao eu e a Satanás até o servir aos outros e a Deus.
3  Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? 4 Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.
 5 Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição. 6 Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado; 7 pois quem morreu, foi justificado do pecado. 8 Ora, se morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos. (Romanos 6.3-8)

No evangelho, quando nos arrependemos de nosso pecado e colocamos nossa fé em Cristo, então nos identificamos com Sua morte. Nosso velho eu é crucificado e um novo eu surge com ele para andar de um novo jeito; um jeito que é transformado pelo poder do Espírito Santo. Nossa nova vida, como a vida de Cristo, é marcada pela autonegação e pelo serviço a Deus que é explicitado em um serviço humilde aos homens. 

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