Páginas

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Levando Esperança aos Perdidos



                O evangelho é de fato uma mensagem de esperança para os perdidos. A mensagem de que um pecador como eu não apenas pode ser purificado da injustiça, mas também ser declarado justo por Deus é quase inacreditável.  E ainda mais quando percebemos que isso é possível apenas pela graça através da fé quando depositamos nossa confiança na obra de Cristo na cruz. Entretanto, o evangelho tem implicações muito maiores além do meu futuro no céu. Há implicações cósmicas da expiação de Cristo que trazem esperança para hoje a todos os que creem. 

               À luz disso, eu gostaria de olhar,  de forma breve mas abrangente, as implicações cósmicas do evangelho de Jesus Cristo. Creio que ao entendermos a abrangência total do evangelho, podemos levar esperança a qualquer pessoa, independentemente de suas circunstâncias atuais.  Podemos levar uma esperança real de transformação hoje e para a eternidade.


A Comissão
               Antes que possamos  entender por completo a abrangência da queda do homem no pecado, devemos compreender o plano original de Deus para a humanidade. Isso é visto no relato da criação em Gênesis 1.

               26 Então disse Deus: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa                semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os       animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão". 27 Criou Deus o homem à sua imagem à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
                    28 Deus os abençoou, e lhes disse: "Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra".

Na comissão de Gênesis 1:26-28, Deus revela seu propósito em criar a humanidade. Certamente, deveríamos entender a imagem de Deus como se referindo aos atributos relacionais da humanidade, a nossas habilidades volitivas e à raiz da dignidade de cada ser humano. Isso tudo é verdade, mas há muito mais sentido nesta passagem.

               A ideia de um portador da imagem é muito significativa. Na cultura do antigo oriente próximo, os reis eregiam estátuas que levavam suas imagens por todos os seus reinos.  Essas estátuas mostravam às pessoas que o reino desses reis abrangia aquela região. A imagem do rei lembrava às pessoas sobre a que autoridade elas estavam submetidas. Quanto mais o reino se expandia, mais imagens eram erguidas.

               Ao criar o homem à sua imagem, Deus estava lhe dando uma comissão para mediar Seu reino sobre a terra. Entende-se isso ao se considerar o fato de Deus ter dado a Adão e Eva o domínio sobre a terra e tudo nela. Deus era o criador e rei soberano, mas a humanidade deveria ser formada de vice-regentes que governariam em nome dEle. Neste sentido, Adão e Eva eram reis sobre a terra. Quanto mais obedecessem a comissão de "multiplicar e encher a terra", mais eles estariam carregando a imagem de Deus e assim estabelecendo seu reino sobre a terra.

               Deus colocou inicialmente Adão no Jardim do Éden (Gn 2.8), o qual Ele havia plantado. Ele ordenou que Adão cultivasse o jardim (Gn 2.15) e deu a ele Eva para auxiliá-lo. O papel deles no jardim também é de extrema importância para se entender. O jardim era o lugar onde a presença de Deus habitava sobre a terra. 

               Antes da queda, a humanidade habitava na presença de Deus no jardim. A ordem de cultivar o jardim leva consigo o entendimento de que Adão e Eva deveriam expandir as fronteiras dele até que cobrisse toda a terra. Como resultado, a presença de Deus se estenderia por toda a terra. Neste sentido, eles também eram sacerdotes.

               À luz disso, podemos entender melhor o plano original de Deus para a humanidade. Adão e Eva eram reis-sacerdotes. O papel deles era mediar o governo soberano de Deus sobre Sua criação e expandir Sua presença por toda a terra. Deus não precisava deles para fazer isso, mas lhes confiou o glorioso privilégio de participarem com Ele na ordem por ele criada. Este era o propósito da humanidade.


A Maldição
               Infelizmente, Adão e Eva não exerceram o domínio por muito tempo. Adão demonstrou sua mediação do reino de Deus no fato de Deus permitir a ele dar o nome a todos os animais (Gn 2.19-20).  Contudo, vemos que Adão e Eva deixaram de cumprir a ordem que lhes fora dada. Em vez de mediar o governo de Deus sobre a criação, eles cometem um ato de deslealdade: eles traem a Deus.

               Eles permitem que o inimigo de Deus entre no jardim o qual eles haviam sido comissionados a proteger. A serpente, Satanás, começa a plantar dúvida na mente de Eva e a satisfazer seu amor próprio.  Distorce as palavras de Deus em uma tentativa de enganá-la (Gn 3.1).  Quando Eva o corrige e afirma a verdadeira ordem de Deus, Satanás chama Deus de mentiroso (Gn 3.2-4).

               A serpente diz que se eles comerem da árvore do conhecimento do bem e do mal, eles não morrerão, mas serão como Deus “conhecedores do bem e do mal" (Gn 3.5).  Imediatamente, Eva é seduzida em sua carne a comer do fruto. É claro que foi o amor a si mesma que a levou ao pecado. Ela viu que a árvore parecia “agradável ao paladar” e saciaria sua fome. Era "atraente aos olhos", o que aumentou o desejo sobre ela.  Por fim, a mulher desejou ser sábia como Deus e veio a crer que o fruto a exaltaria (Gn 3.6).

               Eva, assim como cada um de nós, sucumbiu à tirania do amor-próprio e da auto-satisfação.  Adão, semelhantemente, desejou o fruto e espontaneamente comeu dele quando Eva o ofereceu (Gn 3.6).  O casal a quem Deus confiou o papel de governar a terra em Seu nome  O traiu e, como consequência, entregou o domínio que tinha ao inimigo de Deus. Por meio do engano e do amor próprio da humanidade, Satanás pôde ganhar poder sobre a criação.

               Houve diversos resultados significativos da traição da humanidade e do envolvimento com  Seu inimigo. Primeiro, seus olhos se abriram e eles perceberam que estavam nus e ficaram  com vergonha (Gn 3.7).  Eles tentaram cobrir sua vergonha ao costurar folhas para vestimentas; porém, isso foi inútil. Quando Deus veio caminhando no jardim, eles se esconderam dEle por causa de sua vergonha. O casal, que Deus havia criado para desempenhar o papel de sacerdotes ao estender a presença Dele por toda a terra, estava se escondendo dessa mesma presença de Deus (Gn 3.8-10). 

               Em seguida, vemos que diversas maldições são colocadas por Deus sobre sua criação como resultado do pecado da humanidade (Gn 3.14-15).  Assim, como consequência da desobediência de Adão e Eva, a humanidade agora se encontra em meio a uma batalha cósmica entre Deus e Satanás. Já que essa batalha é cósmica, ela é travada nas vidas de toda a humildade. Assim, aqueles que deveriam governar agora se acham sob constante ataque de Satanás e de seu bando. Satanás deseja destruir a todos e aniquilar o remanescente da imagem de Deus na criação.

               Em meio a esta maldição, contudo, há esperança. Deus diz a Eva que sua descendência acabará por esmagar a cabeça da serpente. O entendimento aqui é que Deus levantará um homem que destruirá Satanás e devolverá à humanidade sua posição legítima como reis sacerdotes mediando o reinado de Deus sobre a terra. Esta palavra de esperança é a primeira profecia sobre Jesus Cristo.

               A maldição seguinte é colocada sobre a mulher. Deus aumenta a dor que ela terá no parto e traz inimizade em seu relacionamento com seu marido (Gn 3.16).  A mulher, que antes tinha o privilégio de encher a terra com portadores da imagem de Deus, agora sofrerá muita dor nesse processo. Embora ela fosse criada para governar em companhia de seu marido, agora ele é que governará sobre ela. 

               Nesta maldição, vemos a raiz de muitos problemas do mundo. Problemas em lares, entre maridos e mulheres, vêm dessa maldição. A violência e a opressão às mulheres são uma consequência desta maldição. De fato, esta passagem pode ser vista como algo que afeta todas as relações humanas e isso é o começa de uma luta entre o homem e seu próximo.  Isso se mostra muito rapidamente na vida de Caim e Abel (Gn 4.1-8).

               Como consequência do pecado de Adão, toda a criação é amaldiçoada (Gn 3.17-19).  Adão foi criado para ser uma bênção à criação, para cultivá-la e mediar de maneira benevolente o reinado de Deus sobre ela. Em vez disso, o pecado dele leva Deus a colocar uma maldição sobre a terra. O cultivo da terra, que deveria ser uma alegria para Adão, agora se torna algo pesado. O solo já não é mais produtivo, já que Adão irá constantemente lutar contra cardos e abrolhos. 

               Não precisamos olhar para longe para ver os inúmeros problemas resultantes dessa maldição. Os desastres naturais como enchentes, tornados e terremotos trazem devastação sobre nosso mundo. Secas e as consequentes fome e doenças são o resultado dessa maldição. O mundo, que era para ser um belo jardim cheio da presença de Deus, é, pelo contrário, um planeta que luta para prover aos que originalmente haviam sido comissionados a cuidar dele.

               Finalmente, para impedir que a humanidade coma da árvore da vida e assim viva para sempre em seu estado pecaminoso, Deus expulsou Adão e Eva do jardim (Gn 3.22-24).  Embora eles tivessem sido criados para viver no jardim, na presença de Deus, eles são forçados a sair da presença dEle.  Excluídos da presença de Deus e da árvore da vida, eles já não mais viveriam para sempre. Assim como Deus havia dito, eles certamente morreriam.

               Assim, vemos a magnitude da abrangência da queda. Cada aspecto da vida foi afetado pelo pecado de Adão. Ele entregou sua posição de autoridade para Satanás, que está determinado a erradicar da terra a imagem de Deus. As relações humanas foram desvirtuadas e o amor a si mesmo é a ambição impulsora da humanidade.  A própria criação geme por redenção, já que luta de baixo do peso da maldição, da exploração da humanidade e do constante ataque da guerra que se alastra entre Deus e Satanás. De fato, a queda do homem tem tido imensas implicações para toda a criação de Deus.

               Entretanto, há um vislumbre de esperança visto em Gênesis 3.20-21.  Adão, com sua fé, deu a sua esposa o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes (Gn 3.20).  Isso é uma referência à profecia anterior de Gn 3.15 de que a semente da mulher iria esmagar cabeça de Satanás. Depois disso, Deus os veste com roupas de pele (Gn 3.21). 

               Neste ato, há dois conceitos muito importantes para entendermos. Primeiro, a fim de fazer as vestimentas, sangue deveria ser derramado. Nisso, vemos a necessidade de derramamento de sangue para se lidar com o pecado. Segundo, vemos a restauração da comunhão com Deus. O casal se escondeu de Deus porque ficou com vergonha de sua nudez, mas o Senhor, em sua graça, os veste a fim de restaurar a comunhão com eles. Ambas as realidades apontam adiante para a esperança encontrada na cruz. 


A Cruz
               Tão ampla quanto os resultados da queda é a esperança que temos por causa do evangelho! A expiação de Cristo é igualmente ampla superando todos os resultados da queda e do pecado. O resultado imediato do pecado de Adão foi que eles perderam a inocência e ficaram com vergonha de sua nudez. Em Gênesis, Deus os vestiu com peles para restaurar a comunhão com eles, mas os crentes estão revestidos em Cristo (Gl 3.27).  Isso quer dizer que a nossa vergonha foi removida pelo sangue na cruz e a nós foi dada a justiça de Cristo. Não mais temos de nos esconder da presença de Deus; agora podemos nos achegar a Ele com coragem por causa de Cristo (Ef 3.12).

               Como consequência da queda, houve diversas maldições colocadas por Deus. Quando Ele amaldiçoou a serpente, colocou inimizade entre ela e a humanidade. Como foi discutido anteriormente, isso explica a batalha espiritual que todos nós enfrentamos proveniente de Satanás. Ele é um leão que procura destruir a humanidade (I Pedro 5.8), mas conforme profetizado em Gn 3.15, o Filho do Homem esmagou a cabeça dele.

               Isto é evidenciado no ministério de Jesus. Ao expulsar demônios, Jesus estava demonstrando que restabelecia o domínio que Adão perdeu.

                    28 Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus. "Ou como alguém pode entrar na casa do homem forte e levar dali seus bens, sem antes amarrá-lo? Só então poderá roubar a casa dele. (Mt 12.28,29)

Cristo claramente mostrou que havia derrotado Satanás ao exercer autoridade sobre demônios. O golpe de morte foi dado na cruz e embora Cristo fosse ferido, sua vitória final foi estabelecida pela ressurreição. Satanás foi derrotado. Ele ainda ataca a igreja, mas em Cristo,  sabemos que temos a vitória e reinaremos com Cristo pela eternidade. 

               A maldição que fora colocada sobre Eva tornou árduo o processo de encher a terra com portadores da imagem. Em Cristo, o processo toma novo sentido. A humanidade está morta no pecado e a imagem de Deus está prejudicada em nós. Assim, encher a terra com a imagem de Deus requer um novo nascimento (João 3.3).  Paulo fala de nosso velho eu sendo batizado na morte de Cristo e ressuscitado com ele para “uma vida nova” (Romanos 6.3-6).  Em Efésios, ele se refere a isso como uma remoção do velho eu e o revestimento do novo eu que é criado à semelhança, ou imagem, de Deus (Ef 4.22-24).  Dessa maneira, encher a terra com portadores da imagem possui um sentido espiritual porque apenas os que morreram e ressuscitaram com Cristo participam de Seu reino como portadores da imagem.

               Como consequência da maldição sobre a mulher, surge a discórdia nos lares e ela se espalha por todas as relações humanas. Contudo, Cristo supera isso através da cruz. Ele vive uma vida de auto-negação e considera os outros mais importantes do que Ele mesmo. Nosso velho eu foi crucificado com Cristo e liberto da tirania do amor a si próprio. A vida dEle se torna nosso modelo de humildade (Fp 2.3-8) quando procuramos amar a Deus com tudo o que somos e amar nossos próximos como a nós mesmos. Assim, no reino de Deus, esta maldição é semelhantemente vencida pelo sangue de Jesus.

               Adão também foi amaldiçoado como resultado do pecado. Ele perdeu o domínio que o Senhor havia lhe dado e trouxe a morte e o pecado para o mundo. A própria criação geme sob o peso desta maldição (Romanos 8:19-22).  Cristo, o último Adão, restabeleceu o papel do homem de mediar o reinado de Deus sobre a Criação. 
 
               Se pela transgressão de um só a morte reinou por meio dele, muito mais aqueles que recebem de Deus a imensa provisão da graça e a dádiva da justiça reinarão em vida por meio de um único homem, Jesus Cristo. (Romanos 5.17)

Os cidadãos do reino de Deus reinam com Cristo. Este reinado começou com Cristo tendo recebido toda autoridade no céu e na terra. Ele faz a mediação desse reino por meio de Seu corpo, a igreja, pelo poder do Espírito Santo, para a glória do Pai. 

               Com certeza, o reinado de Cristo ainda não chegou à sua plenitude. Há uma realidade presente mas não plena sobre o reino de Deus.  O reino já começou e nós agora construímos para o reino com a esperança de que Cristo retornará e estabelecerá Seu reinado em sua plenitude e aniquilará por completo todos os efeitos do pecado.


A Consumação
               Isso é exatamente o que vimos no final das escrituras, no novo céu, na nova terra e na Nova Jerusalém.

               Então vi um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia. 2 Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido. 3 Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: "Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. 4Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou".
                    5 Aquele que estava assentado no trono disse: "Estou fazendo novas todas as coisas! " E acrescentou: "Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança". 6Disse-me ainda: "Está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tiver sede, darei de beber gratuitamente da fonte da água da vida. 7O vencedor herdará tudo isto, e eu serei seu Deus e ele será meu filho. (Ap 21.1-7)

Pelo sangue em Sua cruz, o Senhor Jesus no final irá vencer a queda e a maldição. Por causa de Sua justiça, a fortaleza do pecado é destruída e todas as coisas são feitas novas. Como fora planejado anteriormente, a humanidade mediará o reino de Deus sobre uma criação restaurada e nós habitaremos na presença de Deus para sempre, bem como havia sido planejado no Jardim do Éden! Esta é uma mensagem de esperança para para todo o mundo! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário