Páginas

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O ÊXODO E MISSÕES: A REDENÇÃO IMEDIATA

             Em Gênesis 12:1-3, Deus faz uma aliança com Abraão na qual Ele o daria terra, faria dele uma grande nação e o abençoaria para que ele fosse uma bênção para as nações. Esta aliança foi a base do relacionamento de Deus com Abraão e seus descendentes. Ela revela uma nova fase no plano divino da redenção; Deus agora vai trabalhar por meio de um povo específico.

            A aliança foi ratificada em Gênesis 15, mas um novo aspecto foi revelado. Em Gênesis 15:13, Deus informa a Abraão que sua descendência será de forasteiros em uma terra estrangeira e sofrerá aflições por 400 anos. Entretanto, a promessa de Deus permanece: Ele irá resgatá-los e os fará regressar para a terra que Ele prometeu. Os capítulos finais de Gênesis relatam a vida de José e a ida da família de Jacó à terra do Egito para buscar alívio da fome. O faraó recebe as pessoas e mostra a elas uma tremenda hospitalidade ao lhes dar o melhor da terra (Gn 47:6, 11).  Gênesis se encerra com José olhando em direção à futura restauração de seu povo à terra que Deus havia prometido a seus antepassados (Gn 50:24-25).

            Embora a família de Jacó tivesse entrado no Egito em paz e com grande bênção, suas condições mudam rapidamente em Êxodo 1. Um novo faraó, que não conhecia José, chega ao poder e começam os 400 anos de aflição previstos.   Os descendentes de Jacó são escravizados e oprimidos pelos egípcios (Ex 1:11-14).  Em um esforço de controlar sua população e assim preservar a segurança de seu reino, os egípcios começam a matar os filhos dos hebreus (Ex 1:22). 

            Neste contexto imediato de escravidão e opressão, a redenção física trazida por Deus não pode ser minimizada ou desconsiderada. As pessoas clamavam por libertação da escravidão física e, por causa de Sua aliança com Abraão, Isaque e Jacó, Deus respondeu (Ex 2:23-25).  Semelhantemente, quando Deus falou com Moisés na sarça ardente, Ele fez referência aos sofrimentos físicos e à opressão dos filhos de Israel (Ex 3:7-10).  O sofrimento e a opressão descreviam um estado de total escravidão. Eles não tinham liberdade ou poder político, não podiam usufruir do fruto de seu trabalho; a possibilidade que tinham de adorar o Senhor era limitada; eles eram tratados severamente e como consequência, sua própria existência foi ameaçada devido ao genocídio. [1] 

            A real condição histórica do povo é de total opressão e foi nesta condição que Deus interveio e revelou-Se a Israel e às nações. “Foi através desse feito libertador (o Êxodo) que Yahweh revelou a Si como ‘Aquele que toma a causa do aflito e do oprimido...’” [2] Assim, no contexto de uma necessidade abrangente, a primeira ação do Senhor como Redentor é de caráter também abrangente.[3]

            A revelação que Deus faz de Si mesmo desta maneira teve implicações importantes no modo com que os israelitas viram Deus e Sua missão. Eles O consideraram o autor da liberdade e da justiça social, o que lhes deu um senso de preocupação social.[4].  Semelhantemente, nós cristãos devemos permitir que a compreensão da ação de Deus no Êxodo influencie nossa compreensão de Deus e de missões. Missões moldadas através do Êxodo demonstrarão uma preocupação abrangente com a necessidade humana, assim como Deus demonstrou no evento do Êxodo.[5]

            Assim como não podemos desconsiderar a dimensão física do resgate do Êxodo, também não podemos politizá-lo. Deus trouxe uma redenção abrangente que não apenas acabou com a opressão física do povo, mas também teve imensas implicações espirituais. Como Christopher Wright afirma: “YHWH não está interessado apenas em libertar escravos, mas em levantar adoradores”[6].  À luz disso, vamos explorar a redenção futura, que é dada como modelo no evento do Êxodo.

Este post é parte de uma série. Para o contexto, clique aqui.


  [1] Christopher J. H. Wright, The Mission of God: Unlocking the Bible’s Grand Narrative [A Missão de Deus: Desvendando a Grande Narrativa da Bíblia] (Downers Grove, Illinois, EUA: IVP Academic, 2006), 268-70.

  [2] Ferdinand Deist, “The Exodus Motif in the Old Testament and the Theology of Liberation” [O Tema do Êxodo no Antigo Testamento e na Teologia da Libertação] conforme citado em The Story of God’s Mission in the Bible: Announcing the Kingdom [A História da Missão de Deus na Bíblia: Anunciando o Reino], Arthur F. Glasser et. al. (Grand Rapids, Michigan, EUA:: Baker Academic, 2003), 75.

  [3] Wright, The Mission of God, 271.

  [4] Glasser, The Story of God’s Mission, 76.

  [5] Wright, The Mission of God, 275.

  [6] Ibid, 270.

Nenhum comentário:

Postar um comentário