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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O ÊXODO E MISSÕES: A REDENÇÃO FUTURA


             A redenção que é descrita de maneira tão bela por ocasião do Êxodo é uma redenção abrangente; contudo, está claro que há uma completude ainda a ser realizada.[1]. A narrativa do Êxodo revela que logo após atravessar o Mar Vermelho, o povo começou a murmurar e a duvidar do Senhor (Ex 15:24, 16:2-3, 17:1-3).  A confecção do Bezerro de Ouro por parte de Arão em Êxodo 32 revela que é necessário, mais adiante, um resgate do poder do pecado. Este resgate, ou a plenitude da redenção de Deus, seria realizado em Cristo, nosso Cordeiro Pascal (I Co 5:7).

            Paulo faz alusão a isso em I Coríntios 10:1-2, onde ele claramente se refere ao Êxodo. Ele fala dos israelitas que estiveram debaixo da nuvem e passaram pelo mar. Isso se refere ao Senhor os guiando através do Mar Vermelho. Isto foi uma espécie de batismo, já que eles saíram da escravidão do Egito e começaram uma nova vida em união com Deus e sob a liderança de Moisés [2]. 

            Isto, naturalmente, é realizado por completo em Cristo. Em Romanos 6:3-4, Paulo explica que os crentes foram batizados em Cristo e em Sua morte. Este batismo é o processo no qual “passamos pelo nosso próprio êxodo, deixando o padrão deste mundo e nos unindo a um outro modo de vida sob a liderança e a autoridade de Cristo”[3].  Paulo continua explicando que o cristão é ressuscitado com Cristo. Esta união com Cristo capacitou os crentes a andar "em novidade de vida" (Rm 6:4 NVI), algo que o primeiro Êxodo não trouxe. Desta maneira, Jesus amplia a redenção que o Senhor trouxe ao Seu povo via Êxodo.  

            A plenitude total da redenção será consumada na segunda vinda de Cristo. No final, Seus inimigos serão derrotados e a plenitude de Seu reino será estabelecida. O céu e a terra serão renovados (Ap 21:1) e a maldição da morte e do pecado será terminada (Ap 21:4).  A humanidade redimida irá morar com o Senhor na nova criação e finalmente desfrutará da plenitude da redenção de Deus. 

           O entendimento da plenitude da redenção divina do Êxodo, encontrada no Novo Testamento, não substitui ou diminui a redenção histórica discutida acima. Antes, ela deveria ser entendida como uma progressão ou o desenvolvimento da redenção completa, advinda de Deus, da humanidade caída. A igreja deve resistir à tentação de ser levada a um extremo físico ou espiritual na interpretação do Êxodo. Em vez disso, “devemos aplicar a integralidade de sua mensagem e significado à nossa prática de missões” [4].  Este tipo de visão abrangente de missões respeita a plenitude dos propósitos redentores de Deus como é visto no Êxodo.

Este post é parte de uma série. Para o contexto, clique aqui.


               [1] Christopher J. H. Wright, The Mission of God: Unlocking the Bible’s Grand Narrative [A Missão de Deus: Desvendando a Grande Narrativa da Bíblia] (Downers Grove, Illinois, EUA: IVP Academic, 2006), 286.

               [2] Frank E. Gæbelein, ed., The Expositor’s Bible Commentary [O Comentário Bíblico do Expositor], vol. 10 (Grand Rapids, Michigan, EUA: Zondervan, 1976), 249.

               [3] Kevin J. Vanhoozer, ed., Dictionary for Theological Interpretation of the Bible [Dicionário para Interpretação Teológica da Bíblia] (Grand Rapids, Michigan, EUA: Baker Academic, 2005), 218.

               [4] Wright, The Mission of God, 286.

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