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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O ÊXODO E MISSÕES: O AVANÇO DO REINO


           Para compreender bem as implicações do êxodo, é necessário compreender seu papel no Reino de Deus. Como foi discutido anteriormente, a família de Jacó se estabeleceu no Egito para escapar da fome. Entretanto, esta relocação viria para cumprir a palavra de Deus a Abraão de que seus descendentes sofreriam aflição por 400 anos (Gn 15:13); contudo, Deus permaneceria fiel à sua aliança (Gn 12:1-3), e faria dele uma grande nação (Gn 46:3).

            É dito que a família de Jacó, herdeira da língua da criação,  frutificou e se multiplicou grandemente enquanto estava no Egito (Ex 1:7).  Na medida em que os 400 anos de aflição chegavam ao fim, Deus ouviu o clamor de seu povo (Ex 2:23-25, Ex 3:7-9) e levantou Moisés para libertá-lo (Ex 3:10).  A grande multidão de hebreus deixou o Egito e "grande multidão de estrangeiros de todo tipo" (NVI) que epresentavam as nações se uniu a eles (Ex 12:37-38).  Ao final, Moisés levou o povo ao monte Sinai onde Deus revelou Seu plano para o povo.

            No Sinai, o Senhor fez uma aliança com o povo de Israel. Eles entraram no Egito como a  "casa de Jacó", mas através da experiência do êxodo, eles se tornaram o "povo de Israel" (Ex 19:3).  “O Senhor transformou um povo que Ele mesmo escolheu em Sua nação eleita” [1]. O propósito desta nação eleita é que ela fosse uma propriedade peculiar, um reino sacerdotal e um povo santo (Ex 19:5-6).  Isso é significativo em nossa compreensão do Reino de Deus.

            Inicialmente, o Senhor criou o homem "à sua imagem" (Gn 1:27 NVI) com o propósito de que Adão e Eva fossem reis sacerdotais que serviriam no jardim-templo e que reinariam sobre a criação[2]. Deus os ordenou: sejam "férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra!" (Gn 1:28 NVI).  Essa ordem é dada para que eles cumpram sua missão. Na medida em que eles se multiplicam e levam a imagem de Deus a toda criação, eles estão estendendo o reino de Deus por todo a terra [3]. Essa extensão do reino de Deus sobre a criação pode ser chamada de o Reino de Deus [4]. 

            Conforme Gênesis 3 revela, o homem rejeitou seu papel como rei sacerdotal e em vez de exercer domínio  sobre a criação, na verdade, deu controle ao inimigo de Deus e se tornou súdito dele [5]. Como resultado, o homem é expulso do jardim e passa a viver sob a maldição de Deus (Gn 3:14-24).  O restante da Escritura se preocupa em como o reino de Deus será restaurado e estendido sobre a terra [6]. À luz disso, Êxodo 19:4-6 se torna extremamente significativo na medida em que revela a intenção de Deus para com Israel; levar a bênção de Sua criação ao mundo [7].

            Israel seria um "reino de sacerdotes", ou sacerdotes que governam como reis, para cumprir o papel que Deus pretendera para Adão e Eva originalmente[8]. Os hebreus foram redimidos da escravidão do Egito a fim de que pudessem se tornar súditos do verdadeiro Rei e mediar Seu reino na terra. Ao fazer assim, eles seriam “uma nação separada por sua santidade ou seu serviço a Deus”.[9].  Propósito esse que seria magnificar o Senhor e levar Seu justo reino a todas as nações e servi-las em nome de Deus.  Dessa maneira, Israel redefiniria o significado de domínio como o serviço a Deus e ao homem[10].  Isso seria um passo em direção ao cumprimento final da promessa que Deus fez a Abraão em Gênesis 12, assim como a completude da redenção que Ele começou com o Êxodo.

Este post é parte de uma série.  Para o contexto, clique aqui.


                [1] Eugene H. Merrill, Mark E. Rooker, e Michael A. Grisanti, The World and the Word: An Introduction to the Old Testament [O Mundo e a Palavra: Uma Introdução ao Antigo Testamento] (Nashville, Tennessee, EUA: B&H Academic, 2011), 211.

               [2] T. Desmond Alexander, From Eden to the New Jerusalem: An Introduction to Biblical Theology [Do Éden à Nova Jerusalém: Uma Introdução á Teologia Bíblica] (Grand Rapids, Michigan, EUA: Kregel Academic & Professional, 2008), 76.

               [3] Ibid, 77.

               [4] Stephen G. Dempster, Dominion and Dynasty: A Theology of the Hebrew Bible [Domínio e Dinastia: Uma Teologia da Bíblia Hebraica] (Downers Grove, Illinois, EUA: InterVarsity Press, 2003), 62.

               [5] Alexander, From Eden to New Jerusalem, 79.

               [6] Ibid, 79.

               [7] Dempster, Dominion and Dynasty, 101.

               [8] Alexander, From Eden to New Jerusalem, 84.

               [9] Dempster, Dominion and Dynasty, 101.

               [10] Ibid, 101-102.

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