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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

JOÃO BATISTA: SEU PERÍODO DE DÚVIDA


João Batista foi um grande profeta comissionado com uma tarefa singular. De fato, Jesus se referiu a João como o maior dos profetas. Contudo, quando estava na prisão para encarar a morte, até mesmo ele teve um período de dúvida. João queria saber se Jesus era de fato o Messias. Muitos haviam vindo alegando o ser, e da cela de sua prisão, João estava começando a pensar que havia cometido um erro. Até mesmo o maior dos profetas teve seus momentos de dúvida e de descrença. Compreender esse período de dúvida vai nos ajudar a enfrentar períodos de dificuldades na vida e no ministério.
João continuou seu ministério pregando as boas novas e chamando o povo para o arrependimento (Lucas 3:18).  Todavia, sua coragem acabaria lhe trazendo problemas. Ele confrontou Herodes em relação a seu relacionamento adúltero com a esposa de seu irmão Filipe, Herodias (Lucas 3:19-20, Marcos 6:17-18).  Herodias ficou furiosa e quis João morto, mas Herodes o manteve seguro na prisão porque o temia (Marcos 6:19-20, Mateus 14:5).
Durante seu tempo na prisão, João começou a refletir sobre o ministério de Jesus e a dúvida tomou conta de seu coração. João ensinava que o Messias traria grande bênção e juízo, contudo, estando ele na cela de uma prisão, parecia que tudo o que Jesus estava trazendo era bênção. Parecia não haver juízo, especialmente sobre o maléfico Herodes que havia aprisionado João.[1]  Com desânimo e uma má compreensão do ministério de Cristo, João pegou-se duvidando se Jesus realmente era aquele que viria..
De sua cela na prisão, João ouvia dos ensinamentos e milagres de Cristo (Mt 11:2).  Em resposta, ele enviou dois de seus discípulos para perguntar a Jesus se ele era aquele que deveria vir (Lucas 7:19-20, Mt 11:3).  João estava confuso porque o ministério de Jesus não se encaixava nas suas noções pré-concebidas e isso o levava a questionar o Senhor.
Jesus não respondeu asperamente à pergunta de João. Pelo contrário, ele fez muitos milagres, curou os doentes, expulsou os demônios, e deu vista aos cegos (Lucas 7:21).  Em vez de repreender João por causa de suas dúvidas, Jesus fez essas coisas a fim de Se afirmar como o Messias, e dar a João a confiança que ele precisava para resistir à prisão.
Então, ele enviou os discípulos de João de volta, instruindo-os a contar-lhe tudo o que tinham visto e ouvido (Lucas 7:22a, Mt 11:4).  Os cegos recebiam sua visão (Is 35:5a) e os coxos andavam (Is 35:6a, Mt 11:5a, Lc 7:22b).  Os leprosos eram purificados (Is 53:4, Mt 8:16-17), os surdos ouviam (Is 35:5b), e os mortos se levantavam (Mateus 11:5b, Lucas 7:22c).[2]  Embora a ressurreição dos mortos não fosse profetizada em relação ao Messias, ela excedeu em muito os milagres poderosos e mais adiante veio a autenticar o ministério de Jesus.
A última prova que Jesus deu foi a pregação das boas novas aos pobres (Mateus 11:5c, Lucas 7:22d).  Essa era uma referência direta a Isaías 61:1-2, que era uma passagem explicitamente messiânica.[3] A mensagem do Senhor para João era clara, ele é o Messias e embora estivesse trabalhando de uma maneira que João não esperava, João podia realmente confiar nEle. Se João continuasse na fé, seria abençoado (Mateus 11:6, Lucas 7:23).
Jesus, então, se dirige às multidões referindo-se a João; isso é significativo à luz das dúvidas de João. Jesus pergunta se as pessoas haviam ido ver uma cana agitada pelo vento (Mateus 11:7, Lucas 7:24).  Jesus deixa claro que João não é um homem inconstante levado de um lado para o outro (Tiago 1:6). João era um homem de fé, que em um período de profundo desânimo, resultado de seu aprisionamento e de uma má compreensão do ministério de Jesus, teve um período de dúvida. Ele também pergunta sobre a aparência física de João, já que ele não era um homem vestido com roupas reais (Mateus 11:8, Lucas 7:25).  Jesus fez essas duas perguntas para chamar a atenção das pessoas sobre quem João realmente era.
Jesus confirma que João era um profeta, e de fato mais do que um simples profeta (Mateus 11:9, Lucas 7:26).  Jesus esclarece que João era na verdade o precursor que foi profetizado em Malaquias 3:1 (Mateus 11:10, Lucas 7:27).  Todos os profetas haviam falado do Messias que viria, mas apenas João teve o privilégio especial de anunciar sua chegada. Isso o fez o maior dos profetas.
Na verdade, a confirmação que Jesus faz desse fato fez de João a maior das pessoas já nascidas (Mt 11:11a, Lc 7:28a). Em seguida, Jesus faz uma declaração que é um tanto difícil de entender. Ele declara que mesmo sendo grande profeta como era João, até mesmo o menor do reino dos céus é maior do que ele (Mateus 11:11b, Lucas 7:28b).  A questão que imediatamente vem a nós é: João não estava no reino? 
João estava às portas do reino; ele anunciava a vinda desse reino, mas não viveu para vê-lo inaugurado. Seu papel foi de extrema importância, mas ele não viveu para ver ou experimentar a vida no reino. Enquanto o ministério de João apontava para o reino vindouro, os cristãos que agora vivem de acordo com os princípios do reino inaugurado apontam de maneira mais clara para Jesus Cristo.
            Jesus confirma que João era de fato a resposta de Malaquias 4:5-6 (Mt 11:13-14).  João era o último dos profetas do Antigo Testamento. Ele veio na plenitude dos tempos para fazer o papel de Elias e preparar o caminho para o Senhor Jesus. Contudo, assim como ele mesmo havia dito, era chegada a hora de Jesus crescer e João necessariamente teria que diminuir.
            Enquanto João estava na prisão, a esposa de Herodes, Herodias, finalmente conseguiu uma oportunidade de tê-lo morto. Sua filha dançava para Herodes e seus convidados. Ele se agradou tanto que ofereceu a ela qualquer coisa até metade de seu reino (Mt 14:6-7, Marcos 6:21-23). 
Ela imediatamente perguntou a sua mãe sobre o que pedir e Herodias a instruiu a pedir a cabeça de João em uma bandeja (Mt 14:8, Marcos 6:24).  Assim ela o fez e, para não pegar mal, Herodes atendeu seu pedido (Mt 14:9-11, Marcos 6:25-28).  João foi morto por um rei implacável, porque esse rei tinha feito um voto sem pensar.  No entanto, ele pôde encarar a morte com a confiança de que havia sido fiel ao seu chamado de preparar o povo para receber seu Messias.
 João foi descrito por Jesus como a maior pessoas já nascidas e como o maior dos profetas também, e mesmo assim ele teve seu período de dúvida. João esperava que Jesus trouxesse juízo imediato sobre os pecadores e quando foi preso injustamente por Herodes, ele começou a questionar se Jesus era realmente o Messias. Jesus não trabalhava como João esperava, então sua fé foi abalada. Entretanto, Jesus não ficou irado ou decepcionado com ele. Pelo contrário, Jesus usou a oportunidade para uma vez mais mostrar que era o Messias ao reiterar a mensagem que ele havia proclamado anteriormente em seu ministério (Lucas 4:17-19).  É sempre em nossos períodos de provação e luta que nossa fé em Jesus acaba por ser fortalecida.


[1] D. A. Carson, Walter W. Wessel, and Walter L. Liefeld, “Matthew, Mark, Luke [Mateus, Marcos, Lucas” em  The Expositor’s Bible Commentary with the New International Version [O Comentário da Bíblia do Expositor com a Nova Versão Internacional], Vol. 8. Edited by Frank E. Gæbelein (Grand Rapids: Zondervan, 1984), 261-262.
[2] W. MacDonald, Believer’s Bible Commentary: Old and New Testaments [Comentário da Bíblia do Crente: Antigo e Novo Testamentos}. A. Farstad, ed., (Nashville: Thomas Nelson, 1995). Logos Bible Software 4 (acessado em  23 de Novembro de  2011).
[3] Carson, The Expositor’s Bible Commentary, 262.

2 comentários:

  1. Não é por acaso que entrei neste site. Na verdade estava mesmo confuso a respeito de Mateus 11:3 e assim que inseri na internet, a resposta foiva sua obra. Gostei imenso do seu estudo e tenho certeza que és abençoado por Deus.

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