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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

NÓS ESTAMOS SOB A LEI?

        Em Romanos 6, Paulo trata de como o crente morreu com Cristo e assim morreu para o pecado. Nos versículos 14-15 ele declara que os crentes não estão mais sob a lei, mas sob a graça. Esse conceito é desenvolvido por Paulo em Romanos 7. Os filhos de Deus foram libertos da sujeição à lei.

        Ele começa nos versículos 1-3 com uma analogia ao ilustrar como a lei não tem mais autoridade sobre alguém que já morreu. Paulo usa a lei a respeito do casamento para exemplificar sua idéia. Uma mulher é livre da lei do casamento quando seu marido morre; assim, ela está livre e também tem a liberdade de casar com outra pessoa sem peso na consciência. A morte do seu marido permite que ela se una a outra pessoa.

        Igualmente, o crente é liberto da Lei Mosaica quando morre “por meio do corpo de Cristo” (versículo 4). A idéia de morrer por meio do corpo de Cristo fala de Cristo como nosso representante. Ele fisicamente morreu por nós, assim nós morremos nele. Tendo sido liberto da lei, o crente é agora livre para se unir a Cristo, assim como a mulher na analogia acima estava livre para se casar com outra pessoa.  O propósito dessa união com Cristo é que nós venhamos a pertencer a ele e, como resultado, darmos frutos para Deus (versículo 4).

        Em João 15 Jesus fala aos seus discípulos sobre permanecer nele e dar frutos. Ele deixa claro que não podemos dar frutos a menos que permaneçamos nele, ou estejamos unidos a Ele, assim como o ramo deve estar unido à videira.  Então, nossa morte por meio do corpo de Cristo, que nos libera da Lei Mosaica e nos liberta para pertencermos ou estarmos em união com Ele, é essencial para a nossa frutificação.

       Quando nós éramos “controlados pela carne” (versículo 5), nossas paixões pecaminosas eram despertadas pela lei. Como Paulo deixa perfeitamente claro no versículo 7, ele não está declarando que a lei era pecado, mas, antes, despertava a natureza pecaminosa dele. A lei não causava o pecado, mas ao apontar o pecado, ela despertava nossa natureza pecaminosa para o pecado. Paulo usa o exemplo da cobiça, mas nós sabemos que sempre que nos dizem para não fazer algo, isso se torna exatamente o que nossa natureza rebelde deseja fazer. Dessa forma, a lei não apenas revelava o pecado, mas também despertava nossa carne para o pecado produzindo frutos que levam à morte. Então a lei é boa, mas como ela não nos capacitava a superar o pecado que apontava, ela levava à morte.

        Os crentes estão agora, por sua morte por meio de Cristo, livres e não mais na escravidão da lei (versículo 6). Os cristãos não servem a Deus de maneira legalista procurando obedecer à lei para agradar a Deus. Antes, tendo ressuscitados com Jesus, servem a Deus conforme o “novo modo do Espírito” (versículo 6). No capítulo 6, Paulo fala sobre isso como sendo o tornar-se obediente “de coração” (versículo 17). De fato, como foi profetizado em Jeremias 31:31-34, a lei é escrita no coração do crente.

        À luz de tudo isso, como o crente deveria ver a Lei Mosaica? Ser liberto da lei seria uma licença para pecar? Já que o cristão não está mais na escravidão da lei, sem ter que obedecê-la de maneira servil, e ao mesmo tempo ineficaz, resta o fato de que a lei é boa e revela ao homem a vontade de Deus. Cristo declarou que ele não veio abolir a lei, mas cumpri-la (Mateus 5:17). Igualmente, o cristão, vivendo no novo modo do Espírito, cumprirá a lei. Ele não o fará por obras legalistas, mas por obediência que flui do coração. Pelo poder do Espírito e motivados por um coração agradecido pela graça de Deus, nossa liberação da lei assegura a nossa obediência a ela.

        A idéia que é comunicada nos versículos 1-6 é interrompida parenteticamente nos versículos 7-25. O pensamento é buscado de volta em Romanos 8:1. Nossa liberação da lei e de suas penalidades tem o significado de que, agora, os crentes estão sob “nenhuma condenação” porque vivem o novo modo do Espírito e assim obedecem de coração. 

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