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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CRISTOLOGIA, ECLESIOLOGIA E MISSÃO

        A encarnação é um aspecto cristológico importante de missão. A respeito da encarnação, John Stott confirma que “nossa compreensão da missão da igreja deve ser deduzida da nossa compreensão da missão do Filho.”[1] Portanto, a vida histórica e ministério de Jesus Cristo são essenciais para nossa própria compreensão de missão. “A forma de viver [de Jesus] estabeleceu os fundamentos para a definição de o que significa amar a Deus acima de todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo. Sua vida terrena e ministério dessa forma vieram a ser modelo para a vida e a missão da igreja.”[2]
        O senhorio de Jesus Cristo é também crucial para nossa compreensão de missão. Em Mateus 28:18, ao Cristo ressurreto foi dada toda a autoridade no céu e na terra. Baseada nessa autoridade, a ordem de ir e fazer discípulos de todas as nações é promulgada. Mais adiante, o fazer discípulos de Cristo. r outros a viver em submissa toda a autoridade no cr é explicado como o fato de ser essencial ensinar aos outros a viver em submissão ao senhorio de Cristo. Nuñes acredita que a mensagem do evangelho contém tanto uma oferta como uma demanda. A oferta é pelo dom gratuito da graça e a demanda é por arrependimento e fé, que é visível por uma vida submetida ao senhorio de Cristo.[3] A compreensão de missão de Padilla como integral é diretamente relacionada a essa questão; de acordo com sua visão "Sem a proclamação de Jesus como Senhor, não há evangelho integral, e sem um evangelho integral não pode haver missão integral."[4] Está claro que uma compreensão apropriada da vida, do ministério e do reinado de Cristo é essencial para desenvolver uma teologia de missão abrangente. 
        A igreja é uma comunidade de fé que "existe para dar testemunho de sua fé em palavra e em ação, na sociedade e no mundo."[5]  As Escrituras se referem a essa comunidade como o corpo de Cristo (1 Coríntios 12:27). Essa compreensão de igreja é crucial para uma compreensão apropriada da teologia da missão. Como foi previamente exposto, ao Cristo ressurreto foi concedida toda a autoridade no céu e na terra. Ele agora reina dos céus continuando sua obra pelo Espírito através de seu corpo, a igreja. "O Filho de Deus continua ativo no mundo do Pai através da ação do Espírito, mas por essa mesma razão a igreja, constituída em Cristo como um corpo, fornece os meios pelos quais Cristo continua a fazer sua obra na terra."[6] Uma compreensão cristológica de Cristo como o nosso exemplo para missão, e a compreensão eclesiológica que, como corpo de Cristo, Ele continua sua missão através de nós leva a uma teologia de missão que é integral por natureza, preocupada em demonstrar entrega ao senhorio de Cristo em cada área da vida e da sociedade.

         [1] John Stott, Christian Mission in the Modern World [A Missão Cristã no Mundo Moderno] (Downers Grove: IVP Books, 2008), 38.

         [2] Tetsunao Yamamori, e C. René Padilla, eds. The Local Church Agent of Transformation: An Ecclesiology for Integral Mission [Igreja: Agente de Transformação - Uma Eclesiologia Para Missão Integral] (Buenos Aires: Kairós Ediciones, 2004), 36.

         [3] Sharon E. Heanay, Contextual Theology for Latin America: Libertation Themes in Evangelical Perspective [Teologia Contextual para a América Latina: Temas de Libertação na Perspectiva Evangélica] (Milton Keynes: Paternoster, 2008), 175.

         [4] Yamamori, The Local Church, 27.

         [5] Heaney, Contextual Theology, 210.

         [6] Yamamori, The Local Church, 163.

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