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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Igualdade no Corpo de Cristo

      Em 2 Coríntios 8:1-15,  Paulo encoraja a igreja em Corinto a dar financeiramente  para alívio dos santos em Jerusalém. O corpo de Cristo em Jerusalém estava sofrendo de profunda pobreza devido à perseguição e à fome. Paulo estava encorajando os gentios a ajudarem seus irmãos em Jerusalém e aparentemente a igreja em Corinto havia se comprometido a fazer isso, mas não havia seguido adiante nesse propósito (vs. 6, 10). Ele não os ordena a dar, mas apela ao exemplo da igreja na Macedônia e do próprio Cristo para estimulá-los a agir.

      As próprias igrejas na Macedônia estavam enfrentando tribulação e “profunda pobreza” (vs. 2), contudo elas tinham uma abundância de alegria. Sua alegria brotava de um entendimento do valor do Reino dos Céus. Eles eram como o homem que Jesus descreveu, que ao achar um tesouro escondido, vendeu tudo e comprou um campo (Mt 13:44). Pela graça, (v. 1) os cristãos macedônios compreenderam  o inestimável valor do Reino e assim graciosamente deram em meio a sua pobreza a fim de suprir as necessidades dos irmãos. Aparentemente, Paulo havia desencorajado a doação deles devido à dureza da condição pela qual passavam; mas os macedônios pediam a oportunidade de participar no alívio dos santos. A oportunidade de participar ou compartilhar é a comunhão (koinonia). O uso deste termo ilustra a profundidade do que realmente é a comunhão bíblica. Muito além do que ter uma refeição juntos; comunhão envolve o carregar de fardos, que é parte do fato de ser membros do mesmo corpo.

      Além de superar as expectativas de Paulo, os macedônios não apenas deram sacrificialmente seus recursos financeiros: eles deram de si mesmos. Eles se comprometeram com Deus e como resultado se comprometeram com Paulo a fim de que pudessem cuidar de seus próximos. Afinal de contas, amar a Deus com todo o nosso coração é amar o nosso próximo como a nós mesmos (Mt 22:36-40). Os macedônios não apenas estavam dispostos a dar dinheiro, mas eles também entregaram seu tempo e seu talento à vontade de Deus. Talvez a sua compaixão pela igreja em Jerusalém era resultado de um entendimento imediato dos horrores da pobreza; de qualquer modo, a razão, no final das contas, era fruto da graça de Deus (v. 6). Paulo não manda que os corintos imitem os macedônios, mas ele destaca que o sustento dado à igreja em Jerusalém demonstrará que o amor deles é sincero (vs. 8). Como disse o apóstolo João, se o amor de Deus está em nós, não podemos ver nossos irmãos em necessidade sem sermos movidos a responder (1 João 3:16-18).

     A seguir, Paulo apela para o exemplo supremo de Jesus Cristo para motivá-los a agir (v. 9). Certamente, somos os receptores das grandes bênçãos espirituais de Cristo. Ele deixou as glórias do céu e voluntariamente deixou de lado seu direito de soberano de toda a criação a fim de que viesse a se tornar um homem. Em sua humanidade, por um tempo, ele abandonou sua glória e as riquezas de sua divindade. Este versículo, com absoluta certeza, tem um imenso significado espiritual; porém, não devemos desconsiderar o seu contexto. A realidade é que Cristo não apenas deixou a glória do céu, mas também nasceu em meio à pobreza física na Terra. Ele descreveu as circunstâncias em que vivia como sendo de carência de posses terrenas (Lucas 9:58). Além do mais, o versículo 9 se acha no meio de uma passagem sobre dar generosamente a fim de suprir as reais necessidades físicas. Assim, em seu comentário sobre 2 Coríntios, Calvino diz -  "Portanto, ele (Jesus) consagrou a pobreza em sua própria pessoa, a fim de que os crentes não mais pudessem considerá-la um horror. Em sua pobreza, ele enriqueceu a todos nós para este propósito – para que não sentíssemos ser difícil tirar da nossa abundância o que pudesse ser deixado a nossos irmãos". Se os crentes não são tocados pelo exemplo da igreja na Macedônia, certamente o exemplo do Senhor deveria nos motivar a ajudar na dor que há em meio aos nossos irmãos e irmãs.

      Paulo continua a encorajar os coríntios a levar adiante seu compromisso (vs. 11). Não é o desejo dele que eles empobrecessem a fim de ajudar a igreja em Jerusalém, mas eles deveriam dar segundo o que têm (vs. 11-12).  Ele explica que a abundância dos coríntios no tempo presente deveria ser usada para suprir a necessidade da igreja em Jerusalém e assim a abundância dela supriria a necessidade dos coríntios. Isto era, como Paulo disse, uma questão de igualdade (vs. 13-14).  Aqui está um belo quadro da interdependência do corpo de Cristo. A idéia não é que todos estivessem exatamente no mesmo nível, mas que como membros do mesmo corpo, cuidássemos uns dos outros da mesma maneira que desejamos ser cuidados. Os crentes de Corinto, na visão de Paulo, poderiam voluntariamente negar para si mesmos alguns dos confortos da vida a fim de que os membros mais frágeis do corpo, neste caso a igreja em Jerusalém, pudesses ter a oportunidade de viver. Não poderíamos dizer o mesmo sobre a igreja norte-americana?  Ninguém está dizendo que devemos trazer a maioria de nossos irmãos no mundo para os padrões de vida da classe média norte-americana, mas será que não poderíamos simplificar nossas vidas a fim de que eles pudessem ter água limpa, comida, moradia digna e uma oportunidade de prover às familias e às igrejas?  É sobre isso que Paulo está, na essência, discutindo.

     Em alguns versículos depois dessa pasagem, Paulo faz uma observação muito boa, com a qual vou encerrar. Ele diz "E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará." (2 Co 9:6).  De fato, eu encorajo você a ler 2 Co 9:6-15 à luz do que acabamos de discutir acima. Tudo o que temos é do Senhor. Ele nos deu graciosamente e quando investirmos, também graciosamente, em seu reino, ele poderá e irá multiplicar nossa sementeira e aumentar  os frutos de nossa justiça ( 2 Cor. 9:10).

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