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terça-feira, 7 de maio de 2013

Uma Teologia Bíblica de Primeiro e Segundo Samuel

Abaixo encontra-se um estudo conciso, baseado na teología Bíblica dos livros de 1 e 2 Samuel . O foco do estudo é o tema da realez, dando uma breve olhada pelos temas de guerra cósmica e inversão do reino de Deus.


Espero que este estudo lhe seja útil na sua caminhada como servo do Rei Jesus.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Magnificat



               Por que será que Jesus veio à Terra? Qual era o propósito da encarnação? Certamente, a encarnação de Cristo foi um evento complexo, tendo muitos efeitos que se desencadearam  por toda a história. Entretanto, com muita freqüência nos apegamos aos aspectos individuais do resultado da vida, ministério, morte substitutiva e ressurreição de Cristo. Neste caso, a encarnação se torna freqüentemente nada mais do que um meio para um fim; Jesus tinha de nascer a fim de que pudesse morrer na cruz. O Natal é um meio para a Páscoa.
               De maneira nenhuma pretendo diminuir a cruz. Ela é de fato o pivô sobre o qual toda a história gira.  Sem ela, não temos nenhuma esperança. Em vez disso, o que quero é elevar a vida e o ministério de Cristo - a encarnação - ao seu devido lugar em nosso entendimento de vida cristã. Jesus não ficou andando a esmo por cerca de 30 anos, esperando morrer e fazendo alguns milagres durante essa trajetória, simplesmente para provar quem Ele era. A encarnação é muito mais significativa do que isso.
               Para se começar a entender o significado da encarnação, vai ser útil ver o que Maria, a mãe de Jesus,  compreendeu o que significava. Isso se torna bastante claro em uma passagem da Bíblia chamada de O Magnificat  (Lucas 1:46-56).  Contudo, a chave para o entendimento deste texto vem um pouco antes no capítulo em questão. Em Lucas 1:26-38,  o anjo Gabriel visita Maria e lhe diz que ela irá dar a luz  a um filho, mas não qualquer um. Ela dará a luz ao Filho do Altíssimo; o tão esperado herdeiro do trono de Davi. Como prometido, o Seu reino (reinado) será eterno (Lucas 1:31-33).
               Para entender a magnitude dessa promessa, é essencial entender o conceito do Velho Testamento sobre o novo êxodo. No primeiro êxodo, Deus resgatou o povo hebreu da escravidão e da opressão dos egípcios. Através desse processo, a nação de Israel foi gerada para ser reis e sacerdotes que mediariam o reinado de Deus sobre a Terra (Êxodo 19:4-6).  Era uma espécie de Adão corporativo através de quem Deus trabalharia para trazer toda a criação para baixo de Seu reinado soberano, como Ele pretendia originalmente  (Gn 1:26-28).
               Infelizmente, Israel continuou em pecado e, assim como Adão, foi exilado de seu Éden. Israel foi levado cativo à Babilônia; porém, os profetas falaram de um novo êxodo que seria muito mais abrangente que o primeiro (Is 35; 43:16-21; 51:9-11; 65:17-25).  O povo de Deus seria resgatado do cativeiro e regressaria à terra prometida onde a presença de Deus habitaria em seu meio no templo.  Além do mais, com esse êxodo, a maldição sobre a criação seria retirada, a morte e a doença seriam derrotadas e a escravidão em todas as suas formas seria erradicada; incluindo a sujeição a Satanás e ao pecado, bem como a opressão física e política.
               Quando o povo de Deus foi liberto do cativeiro e retornou para sua terra, o que  encontrou não era nada parecido com o que os profetas haviam prometido. Os hebreus encontraram Jerusalém em ruínas e enfrentaram grande oposição em seus esforços  para reconstruir o templo e a cidade.   Também enfrentaram a fome e, como conseqüência, sofreram muito. Além do mais,  apesar de estarem em sua terra, nunca a possuíram como era antes. Como resultado, viram seu retorno como apenas o cumprimento parcial do novo êxodo que os profetas haviam prometido. Seu retorno do exilio não foi completo e começaram a esperar pela plenitude do resgate do novo êxodo que viria quando o filho de Davi se sentasse uma vez mais no trono de Jerusalém.
               Por centenas de anos, Israel esperou por seu prometido resgate. Sofreu sob opressão política e demoníaca. Esperou que o justo reinado de Deus se manifestasse em sua vida. Isso torna-se especialmente real para os pobres e necessitados que sofriam  mais que todos. Era esse o contexto em que Gabriel visita Maria.
               Quando ela ouviu que daria a luz ao Filho do Altíssimo, que acabaria por trazer a plenitude do novo êxodo que havia sido profetizado, Maria não pôde se conter de alegria.  É exatamente isso o que vemos em Lucas 1:46-56.  Maria sabia que Deus estava intervindo na história e que a nova criação que Israel tanto aguardava estava finalmente se concretizando! O Natal teria a ver com o reino de Deus invadindo a terra e todas as coisas sendo feitas novas (Is 43:18-19).
               Assim, Maria começa seu cântico de louvor refletindo sobre quem Deus é, seu salvador (vs. 46-47).  À luz do que foi discutido acima, Deus como salvador deve ser entendido de uma maneira abrangente. A salvação que Maria antevê é a plenitude do novo êxodo; a restauração da criação, a derrota de Satanás e a derrota de seu reino, o resgate do pecado e da morte e a restauração da comunhão com Deus. É por isso que ela magnifica o Senhor e se alegra com todo o seu ser.
               Uma das coisas importantes para se entender nessa passagem é que o reino de Deus vira o reino de Satanás (o mundo) de cabeça para baixo. Eles são os opostos polares um do outro. Em referência ao reino, Jesus repetidamente deixa claro que,  em Seu reino, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos (Mt 19:16-30; 20:1-16, 20-28).   Isso é demonstrado pelo próprio Rei na medida que ele humildemente serve a humanidade  (2 Co 8:9, Fl 2:5-8).  No reino de Satanás, os poderosos e fortes são exaltados, enquanto os fracos são oprimidos. Sob o reinado de Jesus, os mansos e humildes reinam com Ele, enquanto os poderosos são derrubados. Esta realidade é vista por todo o cântico de louvor de Maria.
               Isso é visto primeiramente no versículo 48 quando Maria faz referência ao seu "estado humilde". Este termo não apenas se refere  à humildade de seu espírito, mas também à sua posição social. Ela não vinha de uma família importante, com poder e prestígio. Pelo contrário, ela era uma pobre camponesa. Poderia se imaginar que o Filho do Altíssimo nascesse de uma grande família em um belo palácio e não de um casal pobre em um estábulo.
               Maria nunca procurou roubar a glória de Deus. Ela sabia que a posição favorecida que ela ocupará deve-se apenas ao fato do poderoso Deus ter escolhido abençoá-la (v. 49).  Ela será chamada bendita para sempre por causa da bênção especial que o Senhor lhe deu.  É triste que a bênção de Deus tenha sido deturpada e levado a dois pontos de vista divergentes e errôneos sobre Maria. A Igreja Católica Romana entendeu errado o papel de Maria e a venera a uma posição que ela nunca ocupou. A igreja protestante, em um outro extremo, a deixa no ostracismo, tanto que ela só é eventualmente mencionada em um sermão de Natal.  
               Na segunda parte de seu cântico, Maria muda o foco do que Deus fez a ela para o que Deus fez e fará para Israel. Ela cita e faz alusão às numerosas passagens do Antigo Testamento sobre a obra de Deus para com Israel. Contudo, o contexto de seu louvor é a entrada do reino de Deus na história, o cumprimento do novo êxodo. Embora ela fale no tempo passado, citando as Escrituras, também está profetizando na linguagem do novo êxodo a chegada do reino de Deus. Assim, vemos no restante  do cântico não apenas o que Deus fez, mas o que Ele fará.
               Aqui vemos como o reino de Deus vira o reino de Satanás de ponta-cabeça. Deus mostrará misericórdia aos mansos que O temem (v. 50).  Ele derrubará os orgulhosos e humilhará os poderosos, enquanto exalta os humildes (vs. 51,52).  Os famintos ficarão cheios de bens e os ricos serão despedidos sem nada (v. 53) (Lucas 16:19-31; 18:18-30).  É dessa maneira que o reino de Deus se apresenta.  De fato, trata-se de boas novas para os pobres (Lucas 4:18; 14:12-24; 19:1-10).
                Com certeza, há aspectos espirituais nesses versículos. Devemos ser humildes de espírito e famintos espiritualmente por Deus, mas não ousar a tirar do louvor de Maria  todo o seu propósito. Um entendimento adequado do novo êxodo e do reino de Deus não permitirá isso. Queremos espiritualizar o que ela está dizendo e tirar disso todas as implicações físicas/temporais porque elas nos deixam desconfortáveis. Afinal de contas, somos os ricos e poderosos que podem ser humilhados e despedidos sem nada. O reino de Deus vira o mudo de cabeça para baixo e, do mesmo modo, também vira o nosso mundo de cabeça para baixo.   Não podemos marginalizar as palavras de Maria; devemos trabalhar duro para aplicá-las em nossas vidas hoje.
               O reino que vem através do nascimento de Jesus é o resultado da promessa que Deus fez a Abraão e à sua descendência (vs. 54,55). Através do reinado soberano de Jesus, o Israel de Deus será liberto e todas as nações da Terra serão abençoadas. Esta é a esperança da encarnação! É esse o significado do Natal para Maria. O reino está aqui como uma semente de mostarda, mas como fermento se espalhará até que a promessa do novo êxodo há muito tempo esperada seja cumprida por completo.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Levando Esperança aos Perdidos



                O evangelho é de fato uma mensagem de esperança para os perdidos. A mensagem de que um pecador como eu não apenas pode ser purificado da injustiça, mas também ser declarado justo por Deus é quase inacreditável.  E ainda mais quando percebemos que isso é possível apenas pela graça através da fé quando depositamos nossa confiança na obra de Cristo na cruz. Entretanto, o evangelho tem implicações muito maiores além do meu futuro no céu. Há implicações cósmicas da expiação de Cristo que trazem esperança para hoje a todos os que creem. 

               À luz disso, eu gostaria de olhar,  de forma breve mas abrangente, as implicações cósmicas do evangelho de Jesus Cristo. Creio que ao entendermos a abrangência total do evangelho, podemos levar esperança a qualquer pessoa, independentemente de suas circunstâncias atuais.  Podemos levar uma esperança real de transformação hoje e para a eternidade.


A Comissão
               Antes que possamos  entender por completo a abrangência da queda do homem no pecado, devemos compreender o plano original de Deus para a humanidade. Isso é visto no relato da criação em Gênesis 1.

               26 Então disse Deus: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa                semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os       animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão". 27 Criou Deus o homem à sua imagem à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
                    28 Deus os abençoou, e lhes disse: "Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra".

Na comissão de Gênesis 1:26-28, Deus revela seu propósito em criar a humanidade. Certamente, deveríamos entender a imagem de Deus como se referindo aos atributos relacionais da humanidade, a nossas habilidades volitivas e à raiz da dignidade de cada ser humano. Isso tudo é verdade, mas há muito mais sentido nesta passagem.

               A ideia de um portador da imagem é muito significativa. Na cultura do antigo oriente próximo, os reis eregiam estátuas que levavam suas imagens por todos os seus reinos.  Essas estátuas mostravam às pessoas que o reino desses reis abrangia aquela região. A imagem do rei lembrava às pessoas sobre a que autoridade elas estavam submetidas. Quanto mais o reino se expandia, mais imagens eram erguidas.

               Ao criar o homem à sua imagem, Deus estava lhe dando uma comissão para mediar Seu reino sobre a terra. Entende-se isso ao se considerar o fato de Deus ter dado a Adão e Eva o domínio sobre a terra e tudo nela. Deus era o criador e rei soberano, mas a humanidade deveria ser formada de vice-regentes que governariam em nome dEle. Neste sentido, Adão e Eva eram reis sobre a terra. Quanto mais obedecessem a comissão de "multiplicar e encher a terra", mais eles estariam carregando a imagem de Deus e assim estabelecendo seu reino sobre a terra.

               Deus colocou inicialmente Adão no Jardim do Éden (Gn 2.8), o qual Ele havia plantado. Ele ordenou que Adão cultivasse o jardim (Gn 2.15) e deu a ele Eva para auxiliá-lo. O papel deles no jardim também é de extrema importância para se entender. O jardim era o lugar onde a presença de Deus habitava sobre a terra. 

               Antes da queda, a humanidade habitava na presença de Deus no jardim. A ordem de cultivar o jardim leva consigo o entendimento de que Adão e Eva deveriam expandir as fronteiras dele até que cobrisse toda a terra. Como resultado, a presença de Deus se estenderia por toda a terra. Neste sentido, eles também eram sacerdotes.

               À luz disso, podemos entender melhor o plano original de Deus para a humanidade. Adão e Eva eram reis-sacerdotes. O papel deles era mediar o governo soberano de Deus sobre Sua criação e expandir Sua presença por toda a terra. Deus não precisava deles para fazer isso, mas lhes confiou o glorioso privilégio de participarem com Ele na ordem por ele criada. Este era o propósito da humanidade.


A Maldição
               Infelizmente, Adão e Eva não exerceram o domínio por muito tempo. Adão demonstrou sua mediação do reino de Deus no fato de Deus permitir a ele dar o nome a todos os animais (Gn 2.19-20).  Contudo, vemos que Adão e Eva deixaram de cumprir a ordem que lhes fora dada. Em vez de mediar o governo de Deus sobre a criação, eles cometem um ato de deslealdade: eles traem a Deus.

               Eles permitem que o inimigo de Deus entre no jardim o qual eles haviam sido comissionados a proteger. A serpente, Satanás, começa a plantar dúvida na mente de Eva e a satisfazer seu amor próprio.  Distorce as palavras de Deus em uma tentativa de enganá-la (Gn 3.1).  Quando Eva o corrige e afirma a verdadeira ordem de Deus, Satanás chama Deus de mentiroso (Gn 3.2-4).

               A serpente diz que se eles comerem da árvore do conhecimento do bem e do mal, eles não morrerão, mas serão como Deus “conhecedores do bem e do mal" (Gn 3.5).  Imediatamente, Eva é seduzida em sua carne a comer do fruto. É claro que foi o amor a si mesma que a levou ao pecado. Ela viu que a árvore parecia “agradável ao paladar” e saciaria sua fome. Era "atraente aos olhos", o que aumentou o desejo sobre ela.  Por fim, a mulher desejou ser sábia como Deus e veio a crer que o fruto a exaltaria (Gn 3.6).

               Eva, assim como cada um de nós, sucumbiu à tirania do amor-próprio e da auto-satisfação.  Adão, semelhantemente, desejou o fruto e espontaneamente comeu dele quando Eva o ofereceu (Gn 3.6).  O casal a quem Deus confiou o papel de governar a terra em Seu nome  O traiu e, como consequência, entregou o domínio que tinha ao inimigo de Deus. Por meio do engano e do amor próprio da humanidade, Satanás pôde ganhar poder sobre a criação.

               Houve diversos resultados significativos da traição da humanidade e do envolvimento com  Seu inimigo. Primeiro, seus olhos se abriram e eles perceberam que estavam nus e ficaram  com vergonha (Gn 3.7).  Eles tentaram cobrir sua vergonha ao costurar folhas para vestimentas; porém, isso foi inútil. Quando Deus veio caminhando no jardim, eles se esconderam dEle por causa de sua vergonha. O casal, que Deus havia criado para desempenhar o papel de sacerdotes ao estender a presença Dele por toda a terra, estava se escondendo dessa mesma presença de Deus (Gn 3.8-10). 

               Em seguida, vemos que diversas maldições são colocadas por Deus sobre sua criação como resultado do pecado da humanidade (Gn 3.14-15).  Assim, como consequência da desobediência de Adão e Eva, a humanidade agora se encontra em meio a uma batalha cósmica entre Deus e Satanás. Já que essa batalha é cósmica, ela é travada nas vidas de toda a humildade. Assim, aqueles que deveriam governar agora se acham sob constante ataque de Satanás e de seu bando. Satanás deseja destruir a todos e aniquilar o remanescente da imagem de Deus na criação.

               Em meio a esta maldição, contudo, há esperança. Deus diz a Eva que sua descendência acabará por esmagar a cabeça da serpente. O entendimento aqui é que Deus levantará um homem que destruirá Satanás e devolverá à humanidade sua posição legítima como reis sacerdotes mediando o reinado de Deus sobre a terra. Esta palavra de esperança é a primeira profecia sobre Jesus Cristo.

               A maldição seguinte é colocada sobre a mulher. Deus aumenta a dor que ela terá no parto e traz inimizade em seu relacionamento com seu marido (Gn 3.16).  A mulher, que antes tinha o privilégio de encher a terra com portadores da imagem de Deus, agora sofrerá muita dor nesse processo. Embora ela fosse criada para governar em companhia de seu marido, agora ele é que governará sobre ela. 

               Nesta maldição, vemos a raiz de muitos problemas do mundo. Problemas em lares, entre maridos e mulheres, vêm dessa maldição. A violência e a opressão às mulheres são uma consequência desta maldição. De fato, esta passagem pode ser vista como algo que afeta todas as relações humanas e isso é o começa de uma luta entre o homem e seu próximo.  Isso se mostra muito rapidamente na vida de Caim e Abel (Gn 4.1-8).

               Como consequência do pecado de Adão, toda a criação é amaldiçoada (Gn 3.17-19).  Adão foi criado para ser uma bênção à criação, para cultivá-la e mediar de maneira benevolente o reinado de Deus sobre ela. Em vez disso, o pecado dele leva Deus a colocar uma maldição sobre a terra. O cultivo da terra, que deveria ser uma alegria para Adão, agora se torna algo pesado. O solo já não é mais produtivo, já que Adão irá constantemente lutar contra cardos e abrolhos. 

               Não precisamos olhar para longe para ver os inúmeros problemas resultantes dessa maldição. Os desastres naturais como enchentes, tornados e terremotos trazem devastação sobre nosso mundo. Secas e as consequentes fome e doenças são o resultado dessa maldição. O mundo, que era para ser um belo jardim cheio da presença de Deus, é, pelo contrário, um planeta que luta para prover aos que originalmente haviam sido comissionados a cuidar dele.

               Finalmente, para impedir que a humanidade coma da árvore da vida e assim viva para sempre em seu estado pecaminoso, Deus expulsou Adão e Eva do jardim (Gn 3.22-24).  Embora eles tivessem sido criados para viver no jardim, na presença de Deus, eles são forçados a sair da presença dEle.  Excluídos da presença de Deus e da árvore da vida, eles já não mais viveriam para sempre. Assim como Deus havia dito, eles certamente morreriam.

               Assim, vemos a magnitude da abrangência da queda. Cada aspecto da vida foi afetado pelo pecado de Adão. Ele entregou sua posição de autoridade para Satanás, que está determinado a erradicar da terra a imagem de Deus. As relações humanas foram desvirtuadas e o amor a si mesmo é a ambição impulsora da humanidade.  A própria criação geme por redenção, já que luta de baixo do peso da maldição, da exploração da humanidade e do constante ataque da guerra que se alastra entre Deus e Satanás. De fato, a queda do homem tem tido imensas implicações para toda a criação de Deus.

               Entretanto, há um vislumbre de esperança visto em Gênesis 3.20-21.  Adão, com sua fé, deu a sua esposa o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes (Gn 3.20).  Isso é uma referência à profecia anterior de Gn 3.15 de que a semente da mulher iria esmagar cabeça de Satanás. Depois disso, Deus os veste com roupas de pele (Gn 3.21). 

               Neste ato, há dois conceitos muito importantes para entendermos. Primeiro, a fim de fazer as vestimentas, sangue deveria ser derramado. Nisso, vemos a necessidade de derramamento de sangue para se lidar com o pecado. Segundo, vemos a restauração da comunhão com Deus. O casal se escondeu de Deus porque ficou com vergonha de sua nudez, mas o Senhor, em sua graça, os veste a fim de restaurar a comunhão com eles. Ambas as realidades apontam adiante para a esperança encontrada na cruz. 


A Cruz
               Tão ampla quanto os resultados da queda é a esperança que temos por causa do evangelho! A expiação de Cristo é igualmente ampla superando todos os resultados da queda e do pecado. O resultado imediato do pecado de Adão foi que eles perderam a inocência e ficaram com vergonha de sua nudez. Em Gênesis, Deus os vestiu com peles para restaurar a comunhão com eles, mas os crentes estão revestidos em Cristo (Gl 3.27).  Isso quer dizer que a nossa vergonha foi removida pelo sangue na cruz e a nós foi dada a justiça de Cristo. Não mais temos de nos esconder da presença de Deus; agora podemos nos achegar a Ele com coragem por causa de Cristo (Ef 3.12).

               Como consequência da queda, houve diversas maldições colocadas por Deus. Quando Ele amaldiçoou a serpente, colocou inimizade entre ela e a humanidade. Como foi discutido anteriormente, isso explica a batalha espiritual que todos nós enfrentamos proveniente de Satanás. Ele é um leão que procura destruir a humanidade (I Pedro 5.8), mas conforme profetizado em Gn 3.15, o Filho do Homem esmagou a cabeça dele.

               Isto é evidenciado no ministério de Jesus. Ao expulsar demônios, Jesus estava demonstrando que restabelecia o domínio que Adão perdeu.

                    28 Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus. "Ou como alguém pode entrar na casa do homem forte e levar dali seus bens, sem antes amarrá-lo? Só então poderá roubar a casa dele. (Mt 12.28,29)

Cristo claramente mostrou que havia derrotado Satanás ao exercer autoridade sobre demônios. O golpe de morte foi dado na cruz e embora Cristo fosse ferido, sua vitória final foi estabelecida pela ressurreição. Satanás foi derrotado. Ele ainda ataca a igreja, mas em Cristo,  sabemos que temos a vitória e reinaremos com Cristo pela eternidade. 

               A maldição que fora colocada sobre Eva tornou árduo o processo de encher a terra com portadores da imagem. Em Cristo, o processo toma novo sentido. A humanidade está morta no pecado e a imagem de Deus está prejudicada em nós. Assim, encher a terra com a imagem de Deus requer um novo nascimento (João 3.3).  Paulo fala de nosso velho eu sendo batizado na morte de Cristo e ressuscitado com ele para “uma vida nova” (Romanos 6.3-6).  Em Efésios, ele se refere a isso como uma remoção do velho eu e o revestimento do novo eu que é criado à semelhança, ou imagem, de Deus (Ef 4.22-24).  Dessa maneira, encher a terra com portadores da imagem possui um sentido espiritual porque apenas os que morreram e ressuscitaram com Cristo participam de Seu reino como portadores da imagem.

               Como consequência da maldição sobre a mulher, surge a discórdia nos lares e ela se espalha por todas as relações humanas. Contudo, Cristo supera isso através da cruz. Ele vive uma vida de auto-negação e considera os outros mais importantes do que Ele mesmo. Nosso velho eu foi crucificado com Cristo e liberto da tirania do amor a si próprio. A vida dEle se torna nosso modelo de humildade (Fp 2.3-8) quando procuramos amar a Deus com tudo o que somos e amar nossos próximos como a nós mesmos. Assim, no reino de Deus, esta maldição é semelhantemente vencida pelo sangue de Jesus.

               Adão também foi amaldiçoado como resultado do pecado. Ele perdeu o domínio que o Senhor havia lhe dado e trouxe a morte e o pecado para o mundo. A própria criação geme sob o peso desta maldição (Romanos 8:19-22).  Cristo, o último Adão, restabeleceu o papel do homem de mediar o reinado de Deus sobre a Criação. 
 
               Se pela transgressão de um só a morte reinou por meio dele, muito mais aqueles que recebem de Deus a imensa provisão da graça e a dádiva da justiça reinarão em vida por meio de um único homem, Jesus Cristo. (Romanos 5.17)

Os cidadãos do reino de Deus reinam com Cristo. Este reinado começou com Cristo tendo recebido toda autoridade no céu e na terra. Ele faz a mediação desse reino por meio de Seu corpo, a igreja, pelo poder do Espírito Santo, para a glória do Pai. 

               Com certeza, o reinado de Cristo ainda não chegou à sua plenitude. Há uma realidade presente mas não plena sobre o reino de Deus.  O reino já começou e nós agora construímos para o reino com a esperança de que Cristo retornará e estabelecerá Seu reinado em sua plenitude e aniquilará por completo todos os efeitos do pecado.


A Consumação
               Isso é exatamente o que vimos no final das escrituras, no novo céu, na nova terra e na Nova Jerusalém.

               Então vi um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia. 2 Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido. 3 Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: "Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. 4Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou".
                    5 Aquele que estava assentado no trono disse: "Estou fazendo novas todas as coisas! " E acrescentou: "Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança". 6Disse-me ainda: "Está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tiver sede, darei de beber gratuitamente da fonte da água da vida. 7O vencedor herdará tudo isto, e eu serei seu Deus e ele será meu filho. (Ap 21.1-7)

Pelo sangue em Sua cruz, o Senhor Jesus no final irá vencer a queda e a maldição. Por causa de Sua justiça, a fortaleza do pecado é destruída e todas as coisas são feitas novas. Como fora planejado anteriormente, a humanidade mediará o reino de Deus sobre uma criação restaurada e nós habitaremos na presença de Deus para sempre, bem como havia sido planejado no Jardim do Éden! Esta é uma mensagem de esperança para para todo o mundo! 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Servir a Deus Servindo aos Homens

               Sou uma pessoa muito egocêntrica.  Desejo conforto e felicidade para mim mesmo. Com muita frequência, faço de tudo para conseguir algo que eu quero para mim. Sou capaz de suportar as agruras e superar grandes obstáculos quando eu sou o beneficiado. Estou sempre disposto a servir a mim mesmo. Contudo, quando se trata de ajudar uma outra pessoa, nem sempre estou disposto a me esforçar tanto a ponto de me sentir desconfortável.  Todos nós temos um problema com o nosso eu.

Servir a Si Próprio– Servir a Satanás

               Talvez isso possa chocar você, mas quando servimos a nós mesmos, estamos, na verdade, servindo a Satanás. Há uma batalha cósmica em andamento entre o Deus Todo-Poderoso e Seu inimigo, Satanás. Nas Escrituras, vemos dois reinos rivais. Podemos nos aliar ou a Cristo e Seu reino ou a Satanás e o mundo. Satanás é de fato o governante do reino do mundo, como é visto em Ef 2.2 onde,  em referência ao sistema do mundo, ele é chamado de “príncipe do poder do ar.” 

               Quando amamos o mundo e assim, seu governante, estamos em  oposição a Deus e a Seu reino e portanto, fazemos de nós mesmos inimigos de Deus.

Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus. (Tiago 4.4)

Se amar o mundo nos torna um inimigo de Deus, então é importante que entendamos o que é amar o mundo. Olhe como o apóstolo João descreve o amor ao mundo.  

15 Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. 16 Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo. 17 O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. (1 João 2.15-17)

João descreve o amor ao mundo como simplesmente o amor a si mesmo e isso é um testemunho do fato de o amor a Deus e ao Seu reino estar ausente da vida da pessoa. 

               Nosso amor próprio revela que rejeitamos o reino do Senhor e que já nos aliamos ao governo de Seu inimigo.  Apenas alguns exemplos das Escrituras já são necessários para  confirmar isso. 

23 Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. 24 Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, este a salvará. 25 Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se ou destruir a si mesmo? (Lucas 9.23-25)

Jesus deixa claro que uma indisposição em negar-se a si mesmo é sinônimo de um desejo do homem em se apegar ao reino do mundo. Esse apego é fútil porque aquele que procura conservar sua vida no mundo, vai no final das contas perdê-la quando Cristo estabelecer Seu reino em sua plenitude. Aquele que ama a si mesmo  ama o mundo, mas o que nega a si mesmo ama ao Senhor e Seu reino.

               Anteriormente, eu havia mencionado Efésios 2. Nessa passagem, Paulo semelhantemente iguala o amar a si mesmo ao amor ao mundo. 

1 Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados ,2 nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. 3 Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira. (Efésios 2.1-3)

Antes de sermos reconciliados com Deus, cada um de nós estava ativamente seguindo  o curso do mundo em submissão ao seu governante. Vivíamos e perseguíamos este reino do mundo com a conseqüência de vivermos nas paixões de nossa carne seguindo os desejos do corpo e da mente.  Éramos amantes de nós mesmos! Como resultado, éramos filhos da ira; inimigos de Deus. 

               Em Romanos 12, Paulo exorta os seguidores de Cristo a não mais se amoldarem ao mundo mas a serem transformados pela renovação de suas mentes.  

1 Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. 2 Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12.1-2)

Como essa não-conformidade com o mundo se apresenta? Ela é simplesmenente a negação de si mesmo como um ato de louvor a Deus. Por dedução, concluímos que o amor a si próprio é o resultado da conformidade com o mundo. Amar a si mesmo expressa envolvimento com o mundo, enquanto o ato de auto-negação expressa que o crente foi transformado e voltou sua dedicação para o reino de Deus.

               Está claro que, quando exercemos o amor a nós mesmos, estamos nos aliando ao reino do mundo e servindo a Satanás. É igualmente verdade que quando negamos a nós mesmos estamos nos aliando ao reino de Deus e servindo a Ele. Isso pode ser ilustrado com alguns exemplos das Escrituras.  

Servir aos Homens – Servir a Deus

               Em Marcos 10, Jesus dá um exemplo bem claro de servir a Deus sevindo aos homens. Enquanto os discípulos estavam brigando por posições de destaque no reino de Deus, Jesus apontou para Seu próprio serviço humilde aos homens como o modelo da vida no reino. 

35 Nisso Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se dele e disseram: "Mestre, queremos que nos faças o que vamos te pedir". 36 "O que vocês querem que eu lhes faça?", perguntou ele. 37 Eles responderam: "Permite que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda". 41 Quando os outros dez ouviram essas coisas, ficaram indignados com Tiago e João. 42 Jesus os chamou e disse: "Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. 43 Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; 44 e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. 45 Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos". (Marcos 10.35-37; 41-45)

Tendo acabado de ouvir Jesus prever Sua morte, Tiago e João só podiam pedir a Jesus que garantisse a eles os lugares de maior destaque em Seu reino vindouro. Os outros dez discípulos estavam furiosos, não porque João e Tiago pediram isso, mas porque foram os primeiros a pedir!  

               Como repreensão, Jesus aponta para como o reino do mundo opera; os governantes dele dominam os liderados. Não é este o caso no reino de Deus. Ao contrário, os líderes no reino de Cristo servem humildemente àqueles que são liderados. Eles se tornam seus escravos. Este princípio é ilustrado  no fato de que o Filho encarnado de Deus não veio para ser servido e sim para servir e seu serviço é definido pela cruz.

               Ao servir aos homens, Cristo também estava servindo a Deus. Sua morte expiatória na cruz foi o serviço aos homens no que permitiu que fôssemos reconciliados com Deus. Entretanto, foi também um serviço a Deus porque foi da vontade do Pai que Cristo morresse em nosso lugar como preço de um resgate.  

Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer... (Isaías 53.10)

Este é um grande princípio do reino. O serviço de Cristo para com os homens em obediência à vontade de Deus demonstrou Seu amor para com o Pai. Ele serviu ao Pai servindo aos homens.

               O amor a Deus e o amor ao próximo são tão interligados que não podem ser separados. Quando perguntado sobre qual era o maior mandamento da Lei, Jesus se recusou a dar apenas um. Em vez disso, ele ligou para sempre o serviço ao homem com o serviço a Deus. 

37  ...'' ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. 38 Este é o primeiro e maior mandamento. 39 E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. 40 Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas". (Mt 22.37-40)

A Lei e os Profetas foram resumidos no amor a Deus e no amor ao próximo. Você simplesmente não pode amar a Deus sem amar seu próximo; nem pode servir a Deus sem servir o seu próximo.

               O apóstolo João, semelhantemente, liga o amor ao próximo com o amor a Deus. Isso é visto em sua primeira epístola.   

2 Assim sabemos que amamos os filhos de Deus: amando a Deus e obedecendo aos seus mandamentos. (1 João 5.2) 

Em outras palavras, amamos nosso próximo quando amamos a Deus. Assim como Jesus, João une o amor a Deus com o amor ao próximo de tal maneira que não podem ser separados e o amor é definido por ele como o negar-se a si mesmo na cruz.

16  Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. 17 Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? 18 Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade. (I João 3.16-18)

A motivação para nosso amor autruísta por uma outra pessoa é que Jesus negou-se a Si mesmo e entregou Sua vida por nós. 

9  Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. 10 Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. 11 Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros. (I João 4.9-11)

Semelhantemente, o Pai demonstrou Seu amor de maneira sacrificial para conosco ao enviar Seu Filho para morrer por nossos pecados. Mais uma vez, o amor autruísta de Deus visto no evangelho é nossa motivação para amar a Deus e nosso próximo. 

               Está claro que, para Jesus e João, o amor de Deus está diretamente ligado a nosso amor ao próximo. É igualmente verdade que o amor é definido como uma negação sacrificial do eu. Assim, para o cristão, servimos a Deus quando nos aliamos ao Seu reino ao negarmos a nós mesmos e sacrificialmente servirmos nosso próximo em obediência aos mandamentos de Deus.  

               Naturalmente, isso é um problema para todos nós, pois como já vimos, temos um problema com nosso eu. Paulo descreve cada um de nós quando está escrevendo para Timóteo.  

2 Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, 3 sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, 4 traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, 5 tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder... (2 Timóteo 3.2-5)

Paulo facilmente poderia estar se referindo a mim nesta passagem. Sou culpado da acusação, todos nós somos!  Qual é a resposta? Trabalhar mais duro? Ser mais legal? Não conseguimos fazer isso; nós nos amamos demais! A solução já foi discutida.

               É o amor autruísta de Cristo que nos leva do servir ao eu e a Satanás até o servir aos outros e a Deus.
3  Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? 4 Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.
 5 Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição. 6 Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado; 7 pois quem morreu, foi justificado do pecado. 8 Ora, se morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos. (Romanos 6.3-8)

No evangelho, quando nos arrependemos de nosso pecado e colocamos nossa fé em Cristo, então nos identificamos com Sua morte. Nosso velho eu é crucificado e um novo eu surge com ele para andar de um novo jeito; um jeito que é transformado pelo poder do Espírito Santo. Nossa nova vida, como a vida de Cristo, é marcada pela autonegação e pelo serviço a Deus que é explicitado em um serviço humilde aos homens.